Não foi acidente

Um rapaz pilotando uma moto em alta velocidade atropelou e matou o adolescente João Gabriel Martins Guimarães, 16 anos. As investigações ainda estão em andamento, mas as informações iniciais dão conta que a moto estava a 150km/h numa via em que a velocidade máxima é 60 km/h. O atropelador é o influenciador Bruno Krupp. A juíza Maria Izabel Pena Pieranti, corretamente, decretou a prisão preventiva de Bruno. O entendimento, também correto, é que Bruno assumiu o risco de matar ao dirigir de forma imprudente.

Antes disso acontecer, Bruno zombou de uma blitz da Lei Seca em que foi parado e se recusou a soprar o bafômetro. Estava sem habilitação, o veículo estava sem placa. O influenciador pagou algumas multas e seguiu com sua moto que mataria um adolescente três dias depois. E o ponto é esse: uma pessoa sem habilitação, com o veículo irregular, para numa blitz, no alto de seu privilégio desembolsa uma grana para pagar as multas das infrações que cometeu, e segue seu caminho normalmente, como se nada tivesse ocorrido. Cabe lembrar que, no hospital onde Bruno ainda está internado, ele chegou a questionar se havia feito mesmo algo de errado.

O caso de Bruno se soma ao de tantos outros “acidentes” que não devem ser encarados dessa forma. Não é acidente. É impunidade. É passada de pano para quem está errado e, se não for parado, vai seguir errando. É o ex-deputado Carli Filho que saiu bêbado a 160km/h e atropelou e matou duas pessoas. Em seu prontuário de motorista tinham 30 multas e ele estava com a habilitação suspensa, ou seja, não poderia nem estar dirigindo. É o jogador Renan, que também estava bêbado, invadiu a faixa oposta e atingiu de frente um motociclista que morreu na hora. O zagueiro não tinha CNH definitiva e estava com a permissão para dirigir suspensa. São fulanos e beltranos que sempre repetem esse padrão: bêbados e dirigindo sem respeitar regra alguma.

Cerca de 40 mil pessoas morrem de acidentes de trânsito todos os anos, segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária. Aproximadamente 40% desses casos são fruto da mistura álcool e direção, segundo reportagem do Jornal Nacional/TV Globo.

Por tudo isso, encarar o caso de Bruno Krupp como acidente é, além de desonesto, desonrar a memória da vítima que não teve qualquer escolha. Bruno e tantos outros tiveram a escolha.